BNEI AKIVA - SÃO PAULO

Reflexões sobre a Parashát hashavua

Por Rav Moshe Bergman

 

 

Parashát Behar/Bechucotai –  22/Iyar/5762    04/maio/02

 Haftará: Jeremias, 16                                                   37 dias da Contagem do Omer

6ª feira 10/5: Dia da Libertação de Jerusalém, estabelecido pelo Rabinato Central de Israel como dia de festa e agradecimento a D’us pelos milagres realizados durante a Guerra dos Seis Dias.

A Comunidade Bnei Akiva convida o público a festejar esta data na 5ª feira à noite – 09/05, com uma tefilá de agradecimento e uma festa comemorativa.

 

QUAL A BENÇÃO QUE SE OCULTA POR TRÁS DE UMA MALDIÇÃO?

Pesar e dor enchem nossos corações ao lermos as profecias sobre a destruição e as calamidades que advirão ao povo judeu. Lemos esta admoestação num tom de voz baixo e triste, lembrando-nos do sofrimento e das aflições pelos quais passamos: a destruição da terra e da nação, epidemias e doenças, fome e pogroms, Inquisição e Holocausto. A Torá advertiu o povo judeu que tais desgraças ocorreriam se não trilhássemos o caminho da Torá e das mitsvót. Não acatamos as advertências e as calamidades acabaram se concretizando.

Em meio a estas tristes histórias, avistamos um raio de luz. Há um versículo que incentiva e dá alento ao nosso espírito abatido. Depois da descrição do cerco e da fome, da destruição e da devastação da terra e do santuário, Hakadosh  Baruch Hu nos promete: “E Eu devastarei a terra, e se espantarão disso os vossos inimigos que habitarem nela” (Levítico, 26:32). A terra não ficará assolada somente para nós. Também os gentios que nela quiserem se estabelecer não conseguirão colonizá-la. Se refletirmos por um momento, veremos quão importante é esta promessa. Por trás da maldição oculta-se a única esperança de salvação do Judaísmo, de fazê-lo retornar ao seu nacionalismo e ao seu devido lugar. Segundo o processo natural, toda terra deserta é repovoada por novos habitantes. Após algumas gerações, os novos habitantes se fortalecem e criam uma nova nação florescente. A partir deste momento, toda esperança do antigo povo, de retomar o poder, é praticamente nula.

Nos lembramos muito bem das histórias sobre os primeiros halutzim (pioneiros) que imigraram para Israel, há cerca de cem anos. Tiveram que secar pântanos, estabelecer-se em lugares desertos, viver numa terra sem fontes de sustento. Isso é deveras surpreendente: No período do Segundo Templo, Eretz Israel era uma nação próspera, com abundantes áreas cultivadas, na qual milhões de habitantes viviam com conforto econômico. Mesmo nos dias atuais, com a ajuda de D’us, vemos que o país é capaz de absorver com sucesso milhões de habitantes. Por que razão, durante todos os anos de exílio, nenhum outro povo se estabeleceu em Israel? Como se permitiu que a terra fosse destruída, tornando-se deserta e repleta de pântanos e doenças?

Assim disse o Ramban (Nachmânides): “O que aqui nos é dito ‘e se espantarão disso os vossos inimigos’, é na realidade, uma bênção para o povo judeu em todos os exílios e significa que nossa terra se recusa a aceitar sobre si nossos inimigos. Esta é uma grande evidência e também uma promessa para nós, pois não se encontrará nenhuma outra terra boa e extensa, que era habitada por uma população tão grande e que (hoje) esteja tão destruída. Pois desde que a deixamos, recusou-se a aceitar qualquer outra nação e língua, e todos tentam nela fincar raízes, sem que isto esteja no poder de suas mãos”.

É surpreendente descobrir como essa promessa é forte. O próprio Ramban, ao imigrar para Israel, escreveu aos seus familiares sobre a terrível destruição que avistou. “Tudo o que foi santificado está devastado”.

Peregrinos não-judeus que passaram por Israel durante os anos do exílio do povo judeu, relataram suas experiências. Sir John William Dawson, que esteve em Israel em 1888, escreveu: “Até os dias de hoje, nenhuma nação conseguiu estabelecer-se enquanto nação na Palestina. Nenhuma união nacional, ou espírito nacional, conseguiu ali prevalecer. As tribos diversificadas e empobrecidas que a ocuparam nada mais eram que arrendatários, proprietários de terra temporários, que, evidentemente, aguardam por aqueles aos quais o direito permanente de posse da terra foi conferido (os judeus)”.

O conhecido escritor Mark Twain (autor de Huckleberry Finn) visitou Israel em 1867 e escreveu: “Uma terra deserta, cujo solo é extremamente fértil. Mas, está repleta de cardos e espinhos, um espaço silencioso e triste. Existe aqui uma desolação que nem mesmo a imaginação é capaz de adornar com o esplendor da vida e da ação. Chegamos ao Monte Tabor em segurança ... Não vimos sequer um ser humano durante todo o percurso... Quase não vimos árvores ou arbustos... Até a oliveira e o cacto, aqueles companheiros constantes de um solo sem valor, pareciam ter abandonado a terra... A Palestina está de luto, sobre ela paira o feitiço de uma maldição. Secou os seus campos e acorrentou suas energias. A Palestina está desolada e destituída de beleza. A Palestina já não mais pertence a este mundo de criação”.

Depois de milhares de anos durante os quais Eretz Israel não concedeu os seus frutos a nenhum povo, seus filhos a ela retornaram. E vejam o milagre – a terra voltou a ser fértil e a florescer! De repente, surgiram colônias e kibutzim, campos e vinhedos. A terra foi fiel aos seus verdadeiros donos, recusando todo outro povo que nela tentou se estabelecer, retomando sua juventude e alegria somente devido ao retorno dos seus filhos. À semelhança de uma bela mulher, cujo esposo é prisioneiro num país distante. Muitos tentaram convencê-la a perder as esperanças, não mais aguardar por ele e contrair matrimônio. Ela, porém, enfeiou-se diante de todos, voltando a revelar sua beleza somente depois de muitos anos, quando seu esposo retornou.

Muitos questionam se o processo sionista atual constitui realmente o início da terceira redenção do povo judeu. No Tratado Sanhedrin (98) R. Aba nos ensina a ver o sinal de reconhecimento disso. Quando a Terra de Israel der novamente seus frutos, conforme nos prometeu o profeta: “E vós, montes de Israel, produzireis para o meu povo de Israel os vossos ramos e os vossos frutos, pois que ele há de voltar em breve” (Ezequiel, 36:) Rashy isplica, que quando Eretz Israel dar frutas dela nos boas olhas, esse sinal mais claro que o proceco de redencao comesou.

Shabat Shalom e um feliz Yom Ierushalayim!