Novilúnio
(molád) : molad: Sexta, 15 h 14 min 5 partes
Na
terça-feira, dia 27 de Nissan (9/4),
o Estado de Israel assinalará o Dia do Holocausto e do Heroísmo.
HÁ
DIFERENÇA ENTRE UM VENDEDOR DE PERFUMES E UM LIXEIRO?
Ouvi
uma vez uma história a respeito de um homem que era dono de uma das
melhores perfumarias da cidade. Inúmeras pessoas vinham à sua
loja comprar os perfumes de excelente qualidade que ele vendia. Todo cliente
recebia amostras grátis e havia constantemente e sensível, que
estava acostumada aos melhores odores, não podia mais suportar um
cheiro tão terrível.
um
delicioso aroma na loja. Certo dia, o dono da loja saiu de sua casa um pouco
mais cedo e passou ao lado de um caminhão de lixo que, naquele momento,
ali se encontrava. Ao sentir o mau cheiro do lixo, desmaiou. Sua alma delicada
Passaram-se
anos e a roda da fortuna virou. O homem perdeu muito dinheiro e ficou
totalmente arruinado sendo obrigado, finalmente, a fechar sua loja. O único
trabalho que conseguiu encontrar para seu sustento foi o de lixeiro. Ele
estremeceu ao se lembrar como, no passado, havia desmaiado ao sentir o mau
cheiro do lixo mas, sem outra opção, acabou aceitando o
trabalho. No começo, sofreu muito e quase nem conseguia respirar
direito, voltando para casa com dores de cabeça terríveis,
decorrentes do mau cheiro. Com o tempo, acostumou-se. Esqueceu por completo
sua situação anterior. O cheiro do lixo passou a ser parte
integrante e corriqueira de sua vida e ele nem mesmo se lembrava que existia
uma outra realidade. Às vezes, ao voltar para casa, nem mesmo via
necessidade de mudar de roupa. Quando leu uma história a respeito do
dono de uma perfumaria que tinha desmaiado devido ao cheiro do lixo, riu sem
compreender como era possível desmaiar por causa de um cheiro tão
normal e natural. Ele não mais distinguia entre o aroma do perfume e o
cheiro do lixo.
Anos
depois, o homem conseguiu enriquecer novamente e surgiu a oportunidade de
comprar sua antiga perfumaria. Entretanto, ele se recusou e não
conseguiu compreender o espanto de seus amigos. Não entendia qual era o
problema e por que a perfumaria era preferível à coleta de lixo.
Tinha se acostumado tanto a conviver com aquele cheiro que não sentia
mais nenhuma imperfeição e sensibilidade em sua alma.
Por
meio desta analogia, podemos entender o significado do prejuízo que
é causado às nossas almas pelo alimento não casher.
Na nossa parashá, a Torá
adverte que todo aquele que come um alimento não casher
torna sua alma impura: “Não torneis abomináveis vossas almas
com nenhum réptil que se move; não vos façais impuros com
eles e não sejais impuros por eles” (Levítico, 11:43). A
Guemará (Yomá, 39) explica que o alimento não casher
embrutece a alma humana e o indivíduo acaba obstruindo-a de toda
compreensão correta das coisas divinas e excelsas. Todos nós
acreditamos no médico quando este nos adverte dos alimentos
prejudiciais à saúde. Também o Criador da alma humana
sabe o que causa prejuízo a ela e a envenena, o que a impede de
santificar-se e purificar-se de toda a imundície do mundo material.
Às
vezes, as pessoas alegam não entender a importância da observância
da cashrut. Há muitos anos
que não são meticulosos no cumprimento deste preceito e não
viram nenhum prejuízo ocasionado por isso. Este argumento assemelha-se
à situação do dono da perfumaria. Anos de trabalho na
coleta de lixo fizeram com que sua alma se acostumasse ao mau cheiro terrível.
Ela perdeu a delicadeza e a sensibilidade e o homem não entende por que
este caminho é inconveniente e prejudicial.
Também a alma daquele que se acostumou à comida não
casher perde sua delicadeza. Tendo
mergulhado na impureza, não consegue distinguir o prejuízo que a
ela é causado.
Quando
uma pessoa ingere um veneno que faz mal ao seu organismo, nem sempre vê
a conseqüência de imediato. Às vezes, o veneno penetra
lentamente e a pessoa acaba morrendo em decorrência de uma doença,
sem saber que o veneno ingerido foi o causador de sua morte. Por isso, quem
respeita seu corpo evitará comer coisas contra as quais os médicos
advertem. Aquele que tem amor por sua alma impedirá que ela se
corrompa, evitando comer o que o Criador do Universo proibiu.
Na realidade, o prejuízo causado pelo veneno da alma é muito maior. O veneno do corpo o destrói somente neste mundo passageiro, mas o veneno da alma corrompe nossa alma também no mundo eterno. O indivíduo não poderá receber e absorver adequadamente a emanação e a bondade divinas.
É
extremamente irônico o fato de alguém se apresentar como rabino
e, ao mesmo tempo, comer ele próprio taref
(comida não permitida pelos preceitos judaicos). A Torá diz
que esta pessoa nunca poderá compreender corretamente as questões
divinas. Sem dúvida, ela própria errará e fará com
que outros se desviem do caminho certo. Toda decisão e arbitragem
baseadas na Lei judaica decretadas por esta pessoa serão erradas e ela
apenas falsificará e deturpará os ditos da Torá sagrada.
Um
indivíduo toma um remédio do qual seu corpo precisa, ainda que o
preço seja caro. Não há nada mais caro para o homem do
que sua saúde. Aquele que não compra o remédio a fim de
“punir” a farmácia, acaba morrendo e prejudicando a si próprio.
Do mesmo modo, também o preço da comida casher
não pode dissuadir quem atribui importância à saúde
de sua alma.
A
todo aquele que preserva a saúde de sua alma, a Torá promete:
“Vos santificareis e sereis santos, porque Eu sou santo”(Levítico,
11:44).
Shabat Shalom!