Terça-feira
- 4 de Iyar (16/4) - Yom Hazicaron (Dia de Recordação), dedicado
aos heróis tombados nas guerras de Israel, que Hashem vingue o seu
sangue.
Quarta-feira
- 5 de Iyar (17/4) - comemoraremos juntos o Dia da Independência do Estado
de Israel (54 anos), agradecendo a D’us pela graça e benevolência
concedidas a Seu povo em nossa geração.
A comunidade A comunidade religiosa sionista Bnei Akiva convida todo o público a participar das orações do Yom Hazicaron e Yom Haatsmaút.
Super
noite com SUSHI!!!
Terça feira, 16 de abril
19:30
– Tfilá especial, Sushi e comemorações com música
Quarta
Feira 7:00 A.M. Sacharit com Halel
SERÁ
QUE O SIONISMO FRACASSOU?
Há
54 anos, o povo judeu teve o privilégio de concretizar o que gerações
anteriores não haviam conseguido. O Estado de Israel foi criado,
tornando-se um fato consumado. Quando Herzl apresentou, no primeiro Congresso
Sionista, a visão de um estado judeu, suas palavras pareciam um delírio
estranho. Apesar de tudo, o movimento sionista conseguiu cumprir o seu propósito.
Hoje, ao voltarmos nossos olhos para 54 anos atrás, temos que examinar se
o objetivo do movimento sionista foi realmente alcançado.
O
Estado de Israel difere, num ponto essencial, de todos os outros países.
Toda nação foi criada por pessoas que nela viviam. Ao Brasil, por
exemplo, acorreram pessoas de todas as nacionalidades. Com o passar dos anos,
criou-se entre elas uma cultura e língua comuns e elas se transformaram
no povo brasileiro. O povo opunha-se a que um monarca estrangeiro (no caso do
Brasil, o rei de Portugal) determinasse o seu modo de vida. Foi assim que o
Brasil se tornou independente. O mesmo aconteceu com todos os países do
mundo: as pessoas que ali viviam desejavam um governo soberano.
O
Estado de Israel é diferente dos demais. Ele não se estabeleceu,
foi estabelecido por pessoas que já eram cidadãos dos países
em que viviam. O que havia de comum a todas elas, que se autodenominavam
“judeus”? Ora, os judeus da Rússia e do Marrocos não tinham
uma nação, uma língua ou uma cultura em comum.
O
único elo que os unia era uma tradição religiosa ortodoxa
antiga. Uma tradição “estranha”, que não foi abandonada
pelos que nela acreditavam, apesar de milhares de anos de perseguições
e pogroms. Ainda que suas exigências
fossem mais numerosas e severas que as de outra religião, cumpriam suas
normas zelosamente. Não foram feitas “retificações” e
“reformas” liberais para modificá-la ou adulterá-la. Apesar de
viverem entre religiões e nações distintas, estes judeus não
assimilaram a religião local. Preferiram, de um modo racionalmente
inexplicável (segundo a concepção laica), persistir em sua
religião distinta e singular. A não ser por esta preservação
obstinada da religião, não há nada que sirva de elemento de
união entre os judeus do mundo.
Há
cerca de 150 anos, algo estranho aconteceu com o povo judeu. Um grande grupo
decidiu abandonar oficialmente a religião judaica, aquela mesma religião
pela qual seus antepassados estavam dispostos a morrer e que preservava a união
judaica. Estas pessoas, no entanto, tomaram uma decisão inusitada: ainda
que não cumprissem os preceitos religiosos, consideravam importante
manter-se judeus. Queriam identificar-se como judeus, construir escolas judaicas
e ainda mais: criar um estado judeu.
Por
que este interesse em preservar o Judaísmo? O que há de mal na
assimilação aos habitantes dos países nos quais viviam?
Qual a essência deste Judaísmo? O que há em comum entre os
judeus do mundo atualmente?
Judeus
laicos não têm uma resposta clara e coerente para tais
questionamentos. Não obstante a falta de lógica que nisso existe,
as pessoas preservaram o Judaísmo. Apesar da definição
nebulosa e pouco clara do conceito “Judaísmo”, fizeram algo sem
precedentes na história da humanidade. Foram, com dedicação
plena, para uma terra primitiva, repleta de doenças e de guerras.
Abandonaram seu trabalho e uma vida ordenada e estabeleceram novas colônias
agrícolas. Lutaram com todas as suas forças e morreram pela criação
do estado judeu. Até hoje nos surpreendemos e valorizamos a atitude heróica
dos soldados de Tzahal.
Por
que era tão importante criar um estado judeu? Qual era o objetivo do
movimento sionista?
Quando
Herzl falou sobre a visão de um Estado judeu, tinha diante de si dois
objetivos.
1.
A salvação física do povo judeu
O
julgamento de Alfred Dreyfus, um judeu que foi condenado pelo simples fato de
ser judeu, exerceu sobre ele grande influência. Herzl argumentava que o
problema do anti-semitismo seria resolvido apenas com a criação de
um estado judeu. Então, os habitantes locais não mais nos
considerariam como pessoas que observam uma tradição diferente.
Seríamos um povo natural, aceito com compreensão, à
semelhança dos demais. O terrível Holocausto que teve lugar mais
tarde, provou, aparentemente, o argumento de Herzl. Somente um estado judeu
seria capaz de assegurar o bem-estar e a sobrevivência física do
povo.
O
próprio Herzl não podia oferecer uma explicação lógica
para o fenômeno “inusitado” da não assimilação do
povo judeu. Por que é preciso criar um estado, ao invés de
assimilar-se às nações? Se a religião judaica carece
de importância, por que é necessário preservar este povo e
criar para ele uma pátria? Não seria mais simples, por exemplo,
que os judeus da Itália se transformassem em italianos leais ou os judeus
da Polônia, em poloneses leais, resolvendo desta forma o problema da
distinção dos judeus?
2.
O valor espiritual do povo judeu
Os
fundadores do sionismo viram que o povo judeu possui valores morais mais
elevados que os de todos os outros povos do mundo. As visões proféticas
(que pregavam a preservação da religião judaica) são
caracterizadas por um nível muito alto de moralidade e de preocupação
com o bem-estar do próximo. O povo de Israel precisa assegurar sua existência
a fim de servir de “luz para as nações”.
Devemos
preservar o Judaísmo, mas somente em sua esfera moral. Esta luz será
então difundida pelo mundo. Ben Gurion declarou ser este o objetivo
principal do Estado de Israel. Porém, o próprio Ben Gurion não
sabia explicar por que, para isso, era necessária justamente a Terra de
Israel. Tal visão poderia ser igualmente concretizada em Uganda, ou num
dos estados norte-americanos. Esta visão é também
universal, não havendo necessidade da “Lei do Retorno”, que permite a
imigração a Israel apenas para judeus. Todo aquele que compartilha
desta visão moral deveria receber permissão para imigrar.
Hoje,
após 54 anos, devemos examinar como o Estado de Israel se posiciona
diante destas incumbências.
Será
que o Estado de Israel preserva, atualmente, a sobrevivência física
do povo judeu?
A
realidade prática é totalmente inversa. O Estado de Israel
é hoje o principal lugar em que judeus são mortos pelo simples
fato de serem judeus. As notícias desoladoras que chegam de lá
acrescentam novas vítimas diariamente. É justamente na Diáspora
que os judeus contam com uma segurança maior. No Brasil ou nos Estados
Unidos, os judeus passeiam pelos shoppings e pelo centro da cidade com uma sensação
de segurança muito maior que a dos habitantes da capital de Israel.
A
probabilidade de que uma bomba atômica caia, Deus o livre, sobre o Estado
de Israel, vinda do Irã ou do Iraque, é muito maior, atualmente,
do que a ocorrência de um novo Holocausto nos Estados Unidos.
Se
a salvação física era seu propósito primordial, a
visão sionista foi um fracasso retumbante. 54 anos depois da criação
do Estado, a paz tão almejada sequer é vislumbrada no horizonte.
Porventura
o Estado de Israel é hoje uma “luz para as nações”?
Quem
lê as notícias internacionais chega a uma conclusão oposta.
Apesar de sabermos que os fatos são inversos, o Estado de Israel é
sempre apresentado como vilão. Aos olhos do mundo, somos assassinos de
cidadãos inocentes, que lutam pela liberdade de sua pátria. A
televisão brasileira, por exemplo, sempre é mais compreensiva com
as posições do lado árabe. Quando participo das reuniões
do Consulado de Israel, os mesmos argumentos se repetem: por que a divulgação
de Israel fracassa? Não há dúvida nenhuma que, atualmente,
o Estado de Israel não constitui nenhum modelo moral positivo e elevado
aos olhos do mundo.
Talvez
até mesmo o contrário - um modelo cruel e distante dos parâmetros
da moralidade. As propostas exageradas de Ehud Barak aos árabes tampouco
fizeram que o mundo chegasse à conclusão que somos nós os
que têm razão.
A
conclusão que aparentemente se faz necessária é que a criação
do Estado de Israel foi um grande fracasso. Os fundadores do Estado não
alcançaram nenhum objetivo e é preferível fechar suas
portas ou abandoná-lo o mais rápido possível. Não
é surpreendente que argumentos deste tipo sejam hoje proferidos, sem
nenhum pudor, pela imprensa israelense laica.
Mas
o sionismo tinha um objetivo adicional, não declarado abertamente por
seus principais fundadores, e considerado essencial pelo sionismo religioso,
participante pleno do empreendimento sionista.
A
partir do momento em que retornamos para uma definição religiosa
do povo judeu, tudo se esclarece. O povo de Israel é um povo cujo propósito
é aproximar-se, por intermédio das leis bíblicas, da
vontade divina. Deste modo, alcançaremos a felicidade máxima do
ser humano, bem como sua principal finalidade em vida. Devemos levar a palavra
de Deus para o mundo, difundindo-a entre os povos. A tradição
ortodoxa, que serviu de elemento comum entre os judeus por milhares de anos,
constitui o âmago e o significado do Judaísmo. Por isso, nos
é proibida a assimilação aos demais povos e devemos
preservar a singularidade de nossa religião.
Este
propósito religioso só pode ser plenamente realizado em Israel, o
lugar adequado para atingir as qualidades espirituais e a proximidade de Deus.
A
Diáspora não é uma condição saudável,
ou natural, para a vida do povo e da religião judaicos. Uma parte
essencial da vida religiosa plena é a de ser um povo. Não
“brasileiros de fé mosaica”, e sim um povo judeu. Um povo com um
estado, um governo, uma bandeira, um hino e uma cultura religiosa próprios.
Esta
é a concepção que o sionismo veio sanar e corrigir. Quanto
mais progredirmos em direção a este objetivo, mais próximos
estaremos de concretizar outros, tais como a segurança, a paz e a “luz
para as nações”. A Torá assegura que, uma vez cumpridos
os preceitos bíblicos, os problemas de segurança serão
resolvidos: “Se nos Meus estatutos andardes e Meus preceitos guardardes...
darei paz à terra, e vos deitareis e ninguém vos amedrontará”
(Levítico, 26:3). Então, também difundiremos a luz da
religião judaica para todos os povos do mundo. Esta é a profecia
de Isaías (2:3): “Muitos povos virão, dizendo: ‘Vinde,
subamos ao monte do Eterno, à casa do Deus de Jacó! Para
que ele nos instrua a respeito dos seus caminhos e assim andemos na suas
veredas’. Com efeito, de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém,
a palavra do Eterno... E quebrarão as suas espadas, transformando-as em
relhas, e as suas lanças, a fim de fazerem podadeiras. Uma nação
não levantará a espada contra a outra, e nem se aprenderá
mais a fazer guerra. Ó casa de Jacó, vinde, andemos na luz do
Eterno”.
Este
é o caminho da Terceira Redenção do povo judeu. No início,
uma redenção material, o retorno ao modo de vida normal e natural
do povo, enquanto nação. Depois dela, o retorno espiritual, quando
então nos fortaleceremos com a tradição e a religião
do povo
Se
esta é a finalidade do sionismo, ele resultou num imenso sucesso. A mitzvá
de colonização da Terra de Israel, cujo cumprimento foi impedido
por tão longo tempo, voltou a ocupar seu lugar central na vida do povo. O
governo autônomo judaico em Israel retornou. Centenas de milhares de
judeus, observantes das normas religiosas, cumprem hoje preceitos que dependem
da existência da Terra de Israel. O centro espiritual e religioso do povo
foi reconstruído, depois do Holocausto, no Estado de Israel. Surgiu um
movimento de retorno em massa e a porcentagem dos que voltam às raízes
aumenta dia a dia. É possível ver com facilidade o grande mérito
que tiveram os fundadores do Estado se fizermos uma comparação com
a condição espiritual característica das comunidades
judaicas da Diáspora. A maior parte dos jovens laicos perde todo
interesse pelo Judaísmo, acaba se casando com não-judeus e se
desliga do povo para sempre.
Em
Israel, a maioria conhece a tradição e muitos voltam às raízes.
Sua probabilidade de retornar ao Judaísmo original é muito maior.
Já não está longe o dia em que veremos o Estado de Israel
conduzindo-se de acordo com a Halachá em todas as esferas. É
verdade que nem tudo é cor-de-rosa e ainda há muito para
consertar, pelo que lutar. Porém, não há dúvida que
um grande progresso foi alcançado com a criação do Estado.
O processo está apenas em ascensão.
Por
isso, certamente devemos nos alegrar e agradecer a Deus. No Yom Haatzmaut, dia
da independência do Estado de Israel, devemos reconhecer a graça
que tivemos o privilégio de receber. Por esta razão, nos
reuniremos em nossas sinagogas, hastearemos com orgulho a bandeira de Israel e
louvaremos a Deus, com alegria, pela dádiva que nos concedeu com a criação
do Estado de Israel.
É
verdade que os principais líderes da criação do Estado
falavam abertamente sobre uma visão totalmente distinta. Contudo, temos
certeza que, no seu íntimo, esta também era a sua motivação.
Como já vimos, a concepção laica da criação
do Estado de Israel está repleta de contradições e falta de
lógica. Não há dúvida que a motivação
real era o sentimento judaico profundo que a religião deixa como marca
dentro de nós. Em todo judeu se revela uma qualidade única,
inclusive naqueles que, exteriormente, aparentam estar destituídos de
toda santidade espiritual judaica. O valor de cada judeu é muito grande
aos olhos de Deus. Ainda que suas palavras pareçam uma heresia total, a
motivação interior e verdadeira é o sentimento religioso,
que ainda arde no seu coração. O final do processo será o
retorno ao Judaísmo verdadeiro e a redenção completa do
povo judeu.
Um
feliz Yom Haatzmaut para todos nós!
Shabát
Shalom!